Quero falar o que quero, como quero, sem preocupação em verbo concordar, quero pintar o quero, como quero sem medo em tinta combinar. Quero escrever o que quero, como quero, sem importar com vírgula fora do lugar. Quero fugi de formas e de fôrmas, e sem amarras me expressar, me livrar de certas frescuras, desse moralismo excessivo no ato simples de se comunicar. Quero só que entenda minha razão, onde quero chegar, não quero nada impossível, a não ser livre me interlocutar.Quero alcançar outro mundo e não somente sonhar,me despir desta pobreza mesquinha, a venerada inteligência vulgar.E não me diga se isso ou aquilo deve se falar! Não me diga quando esse ou este deve se usar! Não me diga onde o ponto deve ficar! Não me diga se a rima é pobre se é rica, isso não me faz interessar! Quero ultrapassar os limites da hipocrisia, da ditadura, do controle, mesmo remoto, que querem me domar. Não estou nem aí para a vestidura, quero apenas, ir além da aparência, nada a mais, do que meu pensamento registrar, em atos espontâneos, simples, escrever, pintar, falar. E não me ignores, nem me apontes! Se achares, que não sou culto ao me expressar. Quero e vou viver a liberdade plena!Não é utopia, não estou louca a delirar. Tenho fiança, amparo, proteção, onde me abrigar. Tenho defesa e sustento, pois, a poética me tira as algemas, me faz livre, me dar asas pra voar, por cima da tirania, que contrariada se submete ao irregular.

(Adriana Gonzaga)

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Culpado


Culpado


Não procure culpados, para justificar sua estupidez,
Seu medo, sua covardia e fraqueza.

Não procure culpados, para justificar sua timidez,
Sua ignorância, seu embaraço e estreiteza.

Não procure culpados, para justificar sua pequenez,
Sua fragilidade, sua descrença e avareza.

Não procure culpados, para justificar sua insensatez,
Sua mediocridade, sua desventura e pobreza.

Não procure culpados, para justificar sua mesquinhez,
Seu infortúnio, insignificância e rudeza.

Não procure culpados, por ser um infeliz,
Encharcado de tristeza.

Não! Não!
Não se faça de vítima, isso não lhe dará altivez,
E sim a proliferação da miséria, da passividade e lerdeza.

A busca por apontar culpados vem desde os ancestrais,
E não é uma atitude digna de nobreza.
  
(  Adryana Gonzaga)

sábado, 22 de dezembro de 2012

Débito




Débito

Quem foi que disse,
Que para cada interrogação,
Devo uma resposta?
Quem foi que disse,
Que devo entender tudo?
E para tudo devo
Uma explicação?

Se tudo na vida,
Oscila na dúvida.
Provoca-me inquietude.
Não faça cobrança
A minha atitude.

Se não entendo tudo,
Se não entendo o mundo.
Onde tudo são permutas,
Permeado de perguntas.

Onde há dúvida,
Não há dívida.
Não tenho débito em entender,
Muito menos em ser entendida.

(Adriana Gonzaga) 

sábado, 15 de dezembro de 2012

Poderosa

                                                                   Poderosa

Basta uma palavra,
E defini um livro.
Apenas uma palavra,
E acalanta o espírito.

Apenas uma palavra,
E a alma desnuda.
Apenas uma palavra,
E o olho inunda.

Apenas uma palavra,
E o ódio germina.
Apenas uma palavra,
E o júbilo reina.

Apenas uma palavra,
E o coração intoxica.
Apenas uma palavra,
E o sorriso faísca.

Apenas uma palavra,
E deixa cicatriz.
Apenas uma palavra,
E amarga o feliz.

Apenas uma palavra,
E a guerra cresce.
Apenas uma palavra,
E o amor nasce.

Apenas uma palavra,
E desvenda o encanto.
Apenas uma palavra,
E sossega o inquieto.

Apenas uma palavra,
E se profere muito.
Apenas uma palavra,
E há paz no mundo.

Apenas uma palavra,
E a vida salvará.
Somente uma palavra,
E a terra sarará.

Em apenas uma palavra,
Por mais leve que soa,
Se percebe o brio de uma pessoa.
Apenas uma palavra.

(Adryana Gonzaga)
  

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Evolução

   
                                     Evolução

Nasci da geração
Vazia, confusa,
Perdida, enigmática,
Solitária, imprecisa,
Emblemática, Pirada
Problemática e volúvel.

Passado Fragmentado!

Vivo no superlativo superior da geração,
Ambígua, desconexa,
Incrédula, consumista
Insegura, desorientada
Egoísta e inflamável.

Presente gaseificado!

Morrerei na geração
Medíocre, artificial,
Cínica, depravada,
Carente, Avarenta,
Depressiva, apática,
Dissimulada e solúvel.

Futuro liquidado! 

(Adryana Gonzaga)  

Desculpe-me o pessimismo! 

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Poesia


Poesia tu és!
A brandura na revolta, a ternura na aflição,
O oásis no deserto, a liberdade na repressão.
A certeza na dúvida, a visão na cegueira,
O brio no medíocre, a riqueza na miséria.
A vitória na batalha, a fuga no louco,
A voz no silêncio, a astúcia no tolo.

Tu és!
A luz no abismo, o acalanto na insônia,
A feição no invisível, o alívio na angustia.
O possível no impossível, a inclusão na exceção,
A felicidade no desagrado, a vivacidade na depressão.
Alegria na tristeza, o esmero no imperfeito,
A magia no desencanto, a coragem no medo.

Tu és!
O porto no desamparo, o afeto no desprezo,
A ressurreição na morte, a espera no desespero.
O amor no ódio, a loucura no marasmo,
A beleza na feiura, o doce no amargo.
A solidariedade no flagelo, a meiguice no cruel,
A ordem no caos, o júbilo na conversa ao léu.

Tu és!
O anseio na reflexão, a exuberância na ingenuidade,
A sensibilidade no apático, a ostentação na simplicidade.
A aceitação do outro, a sabedoria na vã filosofia.
A paz na guerra, o alento na carência,
O alívio na dor, o entusiasmo na resistência.

Tu és!
O beneficio da diferença,
O refrigério da alma, a bonança do coração,
A esperança da raça humana,
O mistério da vida, a genitora da criação.

És!
A graça expandida da experiência,
A arte de viver, que se promove magnífica na arte da sobrevivência.

(Adryana  Gonzaga)

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Modéstia


Modéstia 

Tem tempo que é preciso,
Fazer silêncio, ficar discreto,
Para o todo se escutar.

Tem tempo que é preciso,
Olhar pra dentro, ficar interno,
Para inteiro se enxergar.

Tem tempo que é preciso,
Sair do espelho, ficar no casulo,
Para íntegro se encontrar.

Tem tempo que é preciso
Sair de cena, ficar pequeno
Para pleno se renovar.

Tem tempo que é preciso,
Ficar de resguardo, estar inativo,
Para completo se superar.

Tem tempo que é preciso,
Entrar na toca, ficar sereno,
Para pronto se aceitar.

Tem tempo que é preciso,
Deixar o externo, recusar o narciso,
Para realmente se acreditar.

Tem tempo que é preciso,
Trocar de pele, ficar despido,
Para absoluto se conquistar.
   
(Adryana Gonzaga)

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Fantasia



                                Fantasia


Não me fale dos bastidores,
Isso não faz a vida engraçada.

Não me fale do além das cortinas,
Quero continuar encantada.

Não me fale da realidade,
Quero viver a bela ilusão inventada.

Não me fale a pura e seca verdade,
 A ficção é a veracidade disfarçada.

Não me fale o que está atrás do belo sorriso,
Quero acreditar na aparência arquitetada.

Não seja sádico, revelando-me o outro lado,
Rogo! Deixe-me no mundo de fada.

Não me fale o que não foi dito,
Posso me perder, ficar desequilibrada.

O que me protege é a imaginação,
 A história enfeitada.

Quero sonho em sono profundo,
A morte suga quem está acordada.

(Adryana Gonzaga)

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Oco


Oco

Os dias passam e se vão,
Ninguém a perceber,
O vazio da emoção,
O egoísmo a corroer.

Não tem mais júbilo,
 O belo do amanhecer.
O encanto do crepúsculo,
Já não se sabe viver.

Todos não enxergar o todo,
Todos a se vender,
Até a alma ao diabo,
 O que cobiçam é o poder.

Vida demente, alienada,
O que importa é ter.
Vida mesquinha, vida privada,
No agrado ninguém crer.

Não se sabe dividir o mesmo espaço,
É insuportável conviver.
  Sorrisos, abraços,
 E amizade ninguém ver.

A selvajaria avança,
É preciso derrotar para vencer.
A perfídia, a ganância,
 Já é qualidade no ser.

O que importa é ser notório,
Evidente aparecer.
 O outro é o outro,
Não interessa descrever.

(Adriana Gonzaga)

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Certeza


Certeza

Tenho certeza que falar “muito”,
Não é o mesmo que falar “demais”.
Tenho certeza que “silêncio”,
Não é o mesmo que “calar”.
Tenho certeza que “simples”,
Não é o mesmo que “comum”.
Tenho certeza que “ver”,
Não é o mesmo que “enxergar”.
Tenho certeza que “inteligência”,
Não é o mesmo que “sabedoria”.
Tenho certeza que “antigo”,
Não é o mesmo que “velho”.
Tenho certeza que "ouvir",
Não é o mesmo que "escutar".
Tenho certeza que “riqueza”,
Não é o mesmo que ser “rico”.
Tenho certeza que “pobreza”,
Não é o mesmo que ser “pobre”.
Tenho certeza que "louco".
Não é o mesmo que "bobo".
Tenho certeza que ser "criança",
Não é o mesmo que ser "infantil".
Tenho certeza que uma “pessoa grande”,
Não é o mesmo que uma “grande pessoa”.
Tenho certeza que “lixo”, pode se tornar “luxo”.
Tenho certeza que gosto de “música”,
Mas odeio quem faz meu ouvido de “pinico”.
Tenho certeza que adoro a cor amarela,
E que colorida é a vida como uma aquarela,
Em nuances e lances, alegres e sombrios.

Ah! ...já ia esquecendo!
Tenho certeza, que não tenho certeza!

(Adriana Gonzaga)


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sábado, 10 de novembro de 2012

Licença


Licença

                          Não escrevo para fugir da existência,
E sim, para me renovar,
Escrevendo não entro em amnésia,
E encontro meu lugar.

Não escrevo para passar o tempo,
E sim, para me presentear,
Pois, Passado me torno a cada momento,
Porque todo instante aspira a se distanciar.

Não escrevo por que tenho algo,
Relevante a falar,
E sim porque não me ouvem quando falo,
E minha alma necessita se expressar.

Não escrevo porque sou exibicionista,
Querendo aparecer e atenção chamar,
E sim porque tenho devaneio de artista,
E a arte de escrever me leva a serenar.

Escrevo com efervescência,
Sem saber o que registrar,
Mas aos intelectuais peço licença,
Para a palavra poder usar.

Escrevo porque não resisto ao encanto da poesia,
Se não aprecia, peço para desculpar,
A humilde ousadia.
È uma força involuntária não adianta me culpar.


                                                           (Adriana Gonzaga)

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sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Rebento





Rebento


                                                  Sinto-me presenteada por divindade,
Ao contemplá-los a dormir.
A alma fica numa ansiedade,
Ao saber que um dia vão desejar partir.

Sinto-me benigna ao apreciá-los,
Fascinada ao saber que vieram de mim,
Feliz ao observar seus lábios,
Rosados chegando ao carmim.

Sinto-me fulgente,
Ao admirá-los a sorrir,
Vejo nos seus olhos inocentes,
Encanto de querubins.

Sinto-me com o poder da criação,
O meu melhor a florir,
Alcanço a sublimação,
O amor me eleva a ressurgir.

Sinto-me em dores de parto a cada instante,
Uma aflição sublime que me leva a sentir,
O coração sangrando permanente,
E bem-aventurada assim.

Sinto-me a alma em efervescência,
Inquieta, não consigo reprimir,
Brado! Sejam livres de toda maledicência,
Felizes com a proteção do Deus sem fim!

Sinto-me carente da palavra certa...
Não consigo me exprimir,
Nesta hora tão deserta,
Situação da qual desejo fugir.

Sinto o rebentar do cordão, a temida liberdade...
Tenho que aceitar não posso resistir.
_Vão Pela vereda da dignidade!
Conquistem além daqui!
Que domando a saudade,
Ficarei a aplaudir.
  
(Adriana Gonzaga) 
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